17/11/2016
Professora da UEPG lança livro sobre Corina Portugal

Assessoria

O trabalho de pesquisa junto a devotos está nas páginas do livro Corina Portugal: súplicas e respostas, de Dione Navarro, que terá lançamento, às 19h30, desta sexta-feira (18), no Centro de Cultura (Rua Doutor Colares, 436).

Professora e pesquisadora do Departamento de Ciências Farmacêuticas da UEPG e lotada no Colégio Agrícola (CAAR), Dione reuniu para a obra quase 100 depoimentos, histórias de vida de fiéis que acreditam que suas vidas foram transformadas por graças recebidas de Corina Portugal, venerada, principalmente, no dia de finados (02 de novembro), quando fies visitam seu túmulo no Cemitério São José. Na solenidade de lançamento, o Paré Grupo de Teatro de Ponta Grossa apresenta a peça Súplicas que mostra a trajetória de vida e de milagres de Corina Portugal.

A autora conta que nos depoimentos se observam pedidos atendidos em todas as áreas do convívio humano, enfermidades onde a medicina já não pode mais intervir. “Há relatos de cura até em doenças terminais como o câncer”. Dione registra que outras graças atendidas relatam realizações de sonhos como passar em vestibular, conseguir emprego, ou de maridos que abandonaram o alcoolismo e outros tipos de vícios. A autora assinala que as placas afixadas no túmulo comprovam as graças recebidas. Também cita que o livro traz laudos clínicos comprovando mudanças fisiológicas em graves enfermidades que ocorreram devido às orações dirigidas a Corina Portugal.

Desafio inesperado
Dione Navarro observa que se trata de um livro sem intenções religiosas. “Eu não me proponho a discutir dogmas de fé, apenas apresento os fatos sem pretensão de mudar paradigmas”. A autora traduz o livro como de gratidão e ao mesmo tempo de fé. Para ela se trata de fé que seus devotos proporcionaram à pesquisa ao compartilhar amorosamente suas experiências espirituais, seus pedidos, seu tempo de espera e as respostas de um plano superior. A autora diz: “Para mim foram momentos inesquecíveis que se definem na emoção dos devotos que aflora de forma envolvente que quase se torna palpável”.

Para Dione, escrever o livro sobre Corina Portugal foi como um desafio inesperado que viveu. “Eu desconhecia sua história. Navegar nesse oceano de novas descobertas aguçou num primeiro momento a minha curiosidade; e num segundo, os dogmas de fé atribuídos a ela incitaram os paradigmas das minhas crenças religiosas. Comecei, então, a mapear outros universos desconhecidos da existência humana”. Ainda sobre o desafio da obra, a autora escreve: “Quando perambulamos por recantos escondidos até então ignorados por nós, os sons do mundo se aquietam para o ‘despertar’ de novos olhares, novos espelhos. Entre eles, a fé que pode representar toda a diferença de uma vida”.

Histórias de vida
Neste universo sagrado da religiosidade e da fé diz que compartilhou com tantos devotos de Corina Portugal, encontrando-se com espelhos que permitiram ver o que as cortinas do cotidiano impedem de enxergar. “Conversando com tantas pessoas que receberam graças da “santinha dos Campos Gerais” me deparei com histórias de vida cujos roteiros de existências tiveram finais de capítulos surpreendentes, modificados por intercessão dela, inclusive a minha história de vida”.

Sobre o túmulo de Corina Portugal, Dione Navarro diz que “quem adentra este local de orações fica impressionado e sensibilizado com a centena de placas de agradecimentos afixadas em sua lápide. Além da quantidade de vasos de flores que todos os dias são depositados sobre o túmulo”. Ela relata que são flores de todas as cores e velas queimando sempre complementam o universo de religiosidade das pessoas que acreditam na santinha dos Campos Gerais. A devoção traduz o reconhecimento dos fiéis à intercessora em muitos milagres obtidos por centenas de moradores do município de Ponta Grossa.

Resgate biográfico
Ainda o livro se propõe a um breve resgate biográfico desta jovem carioca que adentrou as calçadas de Ponta Grossa e foi morta de uma maneira trágica. O capítulo biográfico foi escrito por Josué Correa Fernandes, juiz e historiador, que assina a única literatura existente sobre Corina Portugal. Trechos do capítulo: Corina Portugal nasceu em 1869 na cidade do Rio de Janeiro numa família abastada da então capital do Império do Brasil, filha de um médico desta cidade. Ficou órfã de mãe aos três anos de idade sendo cuidada então pela avó materna que também falece na sequência.

Foi então criada por uma tia até quando na adolescência encontrou Alfredo Marques de Campo, um farmacêutico bem mais velho que ela por quem se apaixonou e veio em seguida a se casar. O pai já receoso pelo comportamento do futuro genro exigiu que o casamento fosse com separação de bens devido as grandes posses que a família Portugal detinha. Este fato foi para Alfredo uma ofensa grande por parte de seu sogro, já que ele nada possuía de bens materiais. Depois de casados viveram algum tempo no Rio de Janeiro, onde começaram as primeiras desavenças com a família de Corina por causa do casamento com separação de bens. O irmão de Alfredo que morava em Curitiba o convidou a se estabelecer aqui na cidade de Ponta Grossa, para trabalhar como farmacêutico.

Maus tratos, morte e romarias
Neste início de casamento, o marido já infligia maus tratos à jovem esposa que por amor e contra a vontade do pai veio se estabelecer nos Campos gerais numa casa alugada nas proximidades da atual Catedral do Bispado, onde abriu uma botica onde se manipulavam diversos medicamentos. Apesar de recém casados, Alfredo passou a frequentar prostíbulos em Ponta Grossa e Castro, onde além de exceder em bebidas alcoólicas perdia altas somas em dinheiro em jogos de carteado. Chegava sempre de madrugada em casa, bêbado e sem dinheiro. Nestes momentos acusava a esposa de ser culpa dela não terem dinheiro para sua sobrevivência já que ela possuía inúmeros imóveis no Rio de Janeiro.

As acusações verbais foram sendo substituídas por pontapés, empurrões e agressões físicas que marcaram a jovem esposa. Muitas vezes vizinhos, como o médico da época João Dória, tinham que intervir dado aos gritos desesperados de Corina pedindo socorro. O jogo levou também sua farmácia perdendo tudo que tinha. Neste dia chegou alucinado em casa e encontrou sua jovem esposa lendo um livro de Machado de Assis. Num rompante sacando de seu punhal, atacou Corina com 22 facadas mortais. Tentado se safar do crime que cometera procurou o doutor Doria alegando que alguma coisa terrível tinha acontecido em sua casa.

Na sequência procura o advogado Vicente Machado alegando que tinha lavado sua honra com sangue porque sua esposa o havia traído com o médico João Dória. Foi levado a julgamento e absolvido indo embora para Minas Gerais, local em anos mais tarde veio a se suicidar. Nesta época já se tinha provado a inocência de Corina e o crime passou a provocar repulsas na sociedade ponta-grossense. Começaram-se as romarias ao túmulo de Corina que, segundo seus devotos, atende aos pedidos de desespero de mulheres que sofrem violência por parte de seus maridos, bem como outras situações de desalento e angústia.

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