30/09/2016
Curadores selecionam peças para mostras do Fenata 2016

Assessoria

A comissão de curadores convidados para selecionar os espetáculos que vão integrar a programação da 44ª edição do Festival Nacional de Teatro (Fenata) da UEPG encontra-se reunida, no Hotel Planalto. Os três profissionais responsáveis pela escolha das peças de 2016 (o trabalho iniciou na quarta-feira, 28 de setembro) são Antonio Do Valle, diretor, ator, professor, curador, palestrante e bacharel em Direção Teatral pela ECA-USP, onde lecionou como professor convidado; Laura Haddad, atriz, figurinista, diretora e produtora cultural; e Pedro Henriques, professor do Curso de Teatro no Instituto de Cultura e Arte da Universidade Federal do Ceará, ator e diretor teatral, atua principalmente na formação de atores.

O festival da UEPG movimenta espetáculos, de 9 a 16 de novembro, no Cine Teatro Ópera, Auditório do Campus Central e em espaços culturais alternativos de Ponta Grossa e região. A curadoria tem a missão de filtrar ente os 234 espetáculos inscritos no festival, vindos de 16 estados e do Distrito Federal (62 cidades), 27 espetáculos, e mais 48 peças suplentes para cobrir eventuais desistências. Os três profissionais vão determinar as peças para a mostra competitiva (teatro adulto e teatro para crianças) e para a mostra não-competitiva (Teatro de Rua, Às Dez em Cena, Paralela e Especial). Neste trabalho, observam os critérios estabelecidos no regulamento do Fenata.

Qualidade e público
Detentor de prêmios importantes do teatro brasileiro, a exemplo do Molière, Mambembe, APCA APETESC, Antônio do Valle considera como pontos importantes na seleção de espetáculos a qualidade e conhecer o público de cada cidade. Neste trabalho, considera os gêneros, estética e o registro do que há de novo no teatro. Presença constante no Fenata, diz que o festival passou a ter mais público, quando saiu da universidade em direção a outros espaços da cidade. “O festival cresceu e ampliou sua mostra a partir da formação de plateia. Para o curador, o Fenata é uma escola e representa uma importante contribuição para o teatro.

Desde os anos 80, com participação intensa no universo teatral brasileiro, como jurado, debatedor, arte-educador e curador, Antônio do Valle destaca como angústia ver que, hoje, há muito monólogo no teatro. Isso porque, segundo ele, perdem-se oportunidades de encontros com públicos em outros espaços dos festivais. Para ele, o melhor teatro que se faz é o de grupo. Considera o monólogo um dos gêneros mais difíceis para se trabalhar no teatro. “É preciso ter alguém para se apoiar. Não é fácil segurar sozinho a plateia”. Para Valle, o Fenata deveria pensar em uma mostra específica para monólogo.

Teatro de resistência
Professora do curso de Teatro e coordenadora do curso de Pós Graduação em Produção da Arte e Gestão da Cultura ambos da PUCPR, Laura Haddad considera a dificuldade de se fazer seleção para a construção de programação de festival. “É preciso acreditar no teatro e no trabalho que se faz. Tratando da seleção de peças para o Fenata, a curadora diz que é preciso pensar este espaço, enquanto um encontro de arte que foge das capitais. Laura coloca como uma visão bonita ver pessoas de diferentes regiões do país interessadas em vir para o festival para mostrar sua arte para um novo público.

Também considera, neste aspecto, a seleção de trabalhos vinculada às linhas estabelecidas para o evento. “Temos um produto na mão e uma diversidade de público que precisa ser atendida”. Para Laura, cada ambiente determina criar pontos novos de interesses que, às vezes passam batidos, e tudo fica mais democrático em relação a cada público. Quanto ao teatro no Brasil, hoje, diz que está cada vez mais difícil. “É um teatro de resistência. O teatro se pauta em movimento de grupo, em resistência. É um teatro com uma diversidade interessante”. Considerando o tempo do teatro e a sua relação com o público, Laura assinala que o teatro ainda não se rendeu às novas linguagens, às novas formas de consumo.

Teatro é Poesia
Doutor e mestre em Artes Cênicas pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia, Pedro Henriques pontua que no teatro se ganha e se perde o tempo todo. Como diretor teatral, Henriques já assinou 55 montagens, e como curador também destaca o significado de se conhecer cada público. Também registra o espaços alternativos como fundamentais para a formação de público. Henriques entende que o teatro é uma arte do local e agrega-se à sua identidade cultural. O curador afirma que o teatro sempre foi e será poesia. Para Henriques, o teatro é um encontro para o ser humano desenvolver-se. “É preciso existir arte do lado para ser poesia”.

Ator profissional desde 1997, Henriques atuou em 33 espetáculos teatrais, 18 comercias de televisão e três curtas metragens. O curador também aproxima o teatro do sensível e afirma que em sua dimensão precisa ser resistência. Além de tudo, precisa ser acontecimento para que possa ensinar a pensar. Ressalta, ainda, a sua capacidade de sair das artes funcionais da vida. Mostra o teatro numa fala artisticamente instigante e, nessa leitura, traduz seu encontro com o público como um espaço de verdades e de viver.

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