Frases chulas e palavras ofensivas ganham corpo na Câmara

Jorge da Farmácia diz que não tem “o rabo preso” e George de Oliveira afirma que está cansado de “ouvir merda” e chamou prefeito de “sem-vergonha”

Luís Carlos Pimentel

Todos sabem que alguns vereadores que ocuparam cadeiras na Câmara Municipal em outras legislaturas nunca primaram por um bom Português e que a partir da imediatamente anterior algumas frases foram disparadas com o propósito de inibir ou depreciar oponentes pela falta de capacidade de contradita-los com argumentos que derrubassem os deles.  No corrente exercício as coisas parecem que estão fugindo ao controle racional dos legisladores.

Na Sessão Ordinária dessa segunda-feira, 31, o vereador George de Oliveira (PMN) chegou ao destempero de adjetivar o prefeito Marcelo Rangel (PPS) de “sem-vergonha”.

Toda a irritabilidade de Oliveira centrava-se no fato de o prefeito ter, supostamente, enviado o seu secretário de Governo, vereador licenciado Maurício Silva (PSB) à Câmara Municipal para convencer os vereadores que votaram a favor da criação de blocos a partir de dois partidos proposta por ele, George de Oliveira, mudassem os votos favoráveis que haviam apresentado na segunda-feira, 24. Seria possível. Então, formatar o bloco de oposição, que, pela lei vigente, exige o mínimo de cinco membros. Passando para a exigência de dois partidos, poderia ser formalizada a frente com apenas um vereador de cada de dois partidos possíveis que se propusessem a caracterizá-la.

Naquela oportunidade, a proposta de Oliveira venceu por 21 votos contra apenas dois contrário (Eduardo Kalinoski – PSDB – e Walter de Souza – PROS). Depois da conversa com Maurício Silva, no vota após a segunda discussão, Oliveira viu seu projeto sucumbir ante 18 votos contrários e quatro favoráveis a sua matéria; Pietro Arnaud (PTB) retirou-se antes dos votos, para ir ao sepultamento de um familiar de uma assessora.

Para Oliveira, o prefeito mostrou que é “covarde’’, pois chegou a telefonar a parlamentares pedindo a mudança de voto e ainda enviou Maurício Silva para reforçar o seu propósito”. Acrescentou que Rangel é um “sem-vergonha”.

Ainda antes da votação, Oliveira disse que tinha a certeza de que os seus pares não mudariam seus votos porque são pessoas integras; caso contrário, estariam desdizendo-se e mostrando que não são sérios, usando ainda outras palavras depreciativas.

Reação

Uma das reações ao discurso de Oliveira foi o de Jorge da Farmácia (PDT). “A segunda discussão é para que se possa reforçar seu posicionamento ou muda-lo conforme corre o debate. Eu não tenho o ‘rabo preso com ninguém”, disse, evidenciando que mudaria o voto anterior.

Ao ouvir de um de seus companheiros de Casa de que votara favorável na segunda-feira porque tinha a convicção de que era o correto, mas que sua convicção nessa quarta-feira já era outra. “A resposta de George: “Estou cansado de ouvir merda”, não se conformando com o argumento de que convicções podem mudar ‘da noite para o dia’.

Nessa sessão, passou para o lado de Kalinoski e Walter, o Waltão, o vereador sargento Guiarone e o vereador Stocco, que haviam sido contrários. Guiarone não apresentou justificativa, mas depreende-se que estivesse zangado por ter ficado de fora da Comissão Especial de Investigação a respeito do ‘despejo de lixo’ irregular no Botuquara, proposta por ele.

 

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